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Do amor, da lágrima, da paixão e da dor-de-cotovelo

Por Lupicínio Rodrigues Filho

Lupicínio Rodrigues, nasceu em 16 de setembro de 1914, no bairro da Ilhota, que já não existe mais, hoje situa-se o bairro Menino Deus, na cidade de Porto Alegre. Era o quarto filho de uma família de 21 irmãos, no entanto, o primeiro filho homem da prole de seu Francisco Rodrigues e Dona Abigail, residentes na Travessa Batista, 97, em Porto Alegre. No local onde Lupi nasceu, e como era carinhosamente chamado pelos amigos, hoje está situada a 'Praça Lupicínio Rodrigues', e o 'Centro Municipal de Cultura Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues'. Esta é uma homenagem da sua cidade, no entanto, mais de uma centena de logradouros públicos se espalharam pelo Brasil homenageando a memória daquele compositor imortal na Música Popular Brasileira.Cadeira número 17 da Academia Brasileira de Música.

Lupi, na virada do século,já falecido, teve inúmeros raios de luz do Criador, enaltecendo cada vez mais sua obra, sua postura como compositor. Iniciou-se um novo ciclo. Mais de uma vez seu nome, sua criaçãoficam eternizadas, gravadas nas lápides dos deuses no Panteon da Música e da Poesia, referendado como sendo o quinto lugar entre os Dez Maiores e Melhores Compositores do Século XX, título reconhecido na publicação da revista Veja, editora Abril, na virada do século. Ainda, no Panteon, gravou seu nome, a obra, entre os Dez Maiores Compositores do Século XX - Revista Isto É. Obteve outra consagração, que aprofundou aindamais o polir de sua distinta obra e, consequentemente, seu nome,agora nas Organizações Globo, dentre os Dez Maiores Compositores do Brasil, no Século XX. Por conseguinte, perfilou-se então, para seu Estado, o Rio Grande do Sul, e mais uma vez o poeta-Compositor, 'pós-mortem', continua a aperfeiçoar o seu trilhar imortal, como se o tempo, o instrumento hábil, tenaz e capaz de aos poucos lapidar o 'Diamente Negro', e instituí-lo como o 'Maior Compositor do Sul, do País'. Continuando seu talhar de profundo reconhecimento público, de sua obra estremece mais as colunas que guarnecem sua cidade natal, que o poeta tanto amou, a sua Porto Alegre, que de lá singularmente erigiu a maioria de sua obra imortal.

Lupi, no seu jeito meigo, com seu caminhar calmo e sereno, cantarolava em cada esquina, em cada praça, pelos bares, e nos ambientes enfumaçados frenquentados, ou no frio, na serração das noites do inverno gaúcho, conquistou o Brasil, as Américas, os continentes e posou suavemente em sua Terra Natal.

Condecorado pela RBS, Rede Brasil Sul de Comunicação, Jornal Zero Hora e seus veículos de mídia e de comunicação do Estado em voto editado pela Rede, consagrou-se 'O Maior Compositor De Sua Terra'. Hoje. O 'Homem-Pássaro', alçou vôo novamente, como um Condor, símbolo deste Continente, fica gravado para a posteridade, "Dentre Os Maiores Compositores Da América Do Sul', no Século XX.

Lupicínio Rodrigues é um herói do amor, da lágrima, da paixão e da dor-de-cotovelo. Filosoficamente, o poeta definia seu estilo sendo: 'A Dor-De-Cotovelo Municipal, a Dor-De-Cotovelo Estadual e a Dor-de-Cotovelo Federal'. Em verdade, aquele ser tinha dentro de si a Organização Federativa do Amor, o Constitucionalismo Brasileiro da Lágrima, o Civismo da Paixão e a Territorialidade da Dor-de-Cotovelo.

Já aos cinco anos de idade, matriculado no colégio por seu Francisco, foi mandado embora da escola porque só queria saber de cantarolar e batucar nas classes escolares. Desde pequenino, segundo contavam seus irmãos e familiares, Lupi manisfestou seu amor e paixão pela música.

Oficialmente, registrado como compositor, autor de músicas inesquecíveis, aos 14 anos compôs sua primeira marchinha, 'Carnaval', e sagrou-se campeã nas festas de Momo, no entanto, anteriormente, já havia emoldurado um dos primeiros títulos do compositor, por ter vencido o Festival de Músicas de Carnaval da Cidade, portanto, o batismo de autor tilintou em 1928, na sua terra Porto Alegre.

A verdade é que em seu mundo Lupiciniano tudo acontecia precocemente. Lupicínio, aos 16 anos teria sido alistado no Exército no ano de 1932, e achou companheiros cantores entre estes, um que se destacaria nacionalmente, posteriormente, foi Nuno Roland, na década de 30, nas ondas do Rádio. Nuno e Lupi viajariam do Rio Grande Do Sul para São Paulo a integraremas forças que combatia na Revolução Constitucionalista. Mas é claro pelos fatos, os dois viajavam com os demais companheiros integrantes do 7° Batalhão de Caçadores de Porto Alegre, de trem, ainda que o destino fosse os Campos de Batalha. No vagão ecoavam músicas cantadas por Nuno Roland, as histórias e as letras poéticas de Lupi à semear o amor e o desamor pelas paisagens desconhecidas.

O trem repleto de soldados à enfrentar Batalhas e Lupi, com seu coração repleto, uma verdadeira caldeira borbulhante, carregada de amor, de versos e canções, explodindo pelos caminhos aventurados. Mais tarde estaria claro que de fato o soldado Lupicínio Rodrigues tinha no seu arsenal de guerra o capacete da dor, a farda da criação, a mochila recheada de sofrimento, um fuzil do amor carregado, repleto de balas com lágrimas, um cinturão de paixão; nos pés, um par de coturnos de sentimentos. Lupicínio era um soldado do Exército Brasileiro, mas na verdade um criador que já vivia em outra dimensão: Era um Compositor.

Quem sabe aquele ser jamais embarcaria naquele trem, sua cabeça não estava ali, veio com uma predestinação pelo Criador do Universo, e tanto assim, que já havia arquitetado seu próprio mundo, um Universo composto e iluminado pelo sol de sua vida, em seu dia-a-dia, com cores diferentes, sobretudo com as luas das emoções. Seus olhos sobre a vida tinham outros cenários, vieram carregados dos elementos da criação, oportunizaram o Compositor de mergulhar na alma humana, na dor e no sofrimento, e nos oportunizou uma visão filosófica de mundo ímpar, de uma forma simples, um segredo peculiar dos gênios. Com certeza os artistas são isto mesmo, criadores de seu próprio universo, sofredores nas suas próprias almas, naturalistas do seu próprio ser,cientistas na sua própria carne, tornando universal o seu viver.

Alistado no Exército, voluntariamente por seu pai, Seu Francisco, um funcionário público exemplar, que não tinha outra escolha, pois cansou da pouca disposição de Lupicínio para o trabalho e de sua disposição incorrigível à boemia, forçou o filho a apresentar-se ao serviço militar, e mais uma vez o destino universal do Criador ratificaria e sacramentaria, assinaria a escolha demonstradas à partir daí, que seu filho era feito de outra matéria, a matéria artística da criação, com componentes garimpados, do amor, da lágrima, da paixão e da dor-de-cotovelo, estes limiares forjariam o destino de Lupicínio Rodrigues e gravariam para sempre seu nome na história e na cultura secular dos povos.

Contudo, a guerra não seria berço do artista, pois retornando ao seio de sua cidade, participaria de outros festivais e como sempre vitorioso, na época vencidos pelo Poeta Cantador do Sul. Mas os limites da cidade torna-se-ião efêmeros para segurar tamanha ferocidade de seus versos do amor - evolui cada vez mais, e em 1935, em parceria com Alcides Gonçalves, venceu o Concurso de Músicas Comemorativo ao Centenário da Revolução Farroupilha com a música 'Triste História', e ' Pergunte Aos Meus Tamancos', do próprio autor, músicas gravadas, posteriormente, pelo Compositor e Intérprete Alcides Gonçalves, imortalizadas no selo da gravadora RCA Victor.

Em 1936, lançava a marcha 'Quando eu for bem velhinho', em gravação de Newton Teixeira. Neste mesmo ano consagrou-se nacionalmente com o samba 'Se Acaso Você Chegasse', na interpretação majestosa de Cyro Monteiro.

O sucesso passou a bafejar o menino pobre da Ilhota, de uma comunidade negra que se fazia presente através da música, do esporte e do carnaval. Em 1947, Lupicínio deu início ao ciclo de dor-de-cotovelo compondo canções sempre sobre amores contrariados, paixões desenfreadas, desesperos amorosos e afetos eternos. Composições como: 'Nervos de Aço', 'Nunca', 'Volta', 'Ela Disse-me Assim', 'Maria Rosa', 'Felicidade', 'Quem Há De Dizer', 'Cadeira Vazia', 'Vingança', 'Se Acaso Você Chegasse', Hino Oficial do Grêmio Futebol Porto Alegrense', 'Loucuras', 'Exemplo', 'Dona Divergência', 'Esses Moços', 'Foi Assim', 'Torre de Babel', 'Homenagem', 'Brasa', 'Meu Natal', dentre as centenas de músicas compostas.

Cantores e cantoras de todas as épocas gravaram e regravaram as canções inesquecíveis de Lupi. Conjuntos, orquestras, duplas sertanejas, sambistas, continuam também gravando as obras do autor, rei da dor-de-cotovelo. No cenário internacional, tem obras executadas e gravadas no Japão, China, Holanda, Espanha, Itália, Portugal, França, Estados Unidos, Inglaterra dentre outros tantos.

Lupicínio Rodrigues, sócio da Sbacem desde os anos 40, e como tal, fundou a Sbacem em seu Estado, Rio Grande do Sul, em 1946, defendendo os autores na causa do direito autoral e para as futuras gerações. Como fundador, foi representante da Sbacem no Sul até seus últimos dias, causa esta que tanto se dedicou com muito orgulho ao longo de toda a sua vida.

Casado com Dona Cerenita Quevedo Rodrigues, teve apenas um filho do casamento: LupicínioJorge Quevedo Rodrigues, o Lupinho, como carinhosamente era chamado por seu pai - também compositor, escritor e poeta. Ainda teve outra filha, quando jovem: Tereza.

Lupicínio Rodrigues faleceu em 27 de agosto de 1974. Morreu o Homem. Fundiu-se então sua obra no gizo do tempo, bem viva, cantada, por todos na atualidade, encantando e enternecendo corações. Aonde tiver um ser atingido pelo raio do sofrer, lá estará presente Lupicínio Rodrigues, do amor, da lágrima, da paixão e da dor-de-cotovelo.

Lupicínio Rodrigues:

O gênio da dor-de-cotovelo

Por Dr. Ivo Santos

Ninguémcantou, em versos, a "dor-de-cotovelo" melhor que Lupicínio Rodrigues - o Grande Sabiá Gaúcho.

No justo dizer da maioria dos cronistas e críticos, ele se tornou um dos famosos e consagrados nomes do nosso cancioneiro popular. Autor de um rosário imenso de sambas e canções românticas que percorreram todo o país, transformou-se num verdadeiro monstro sagrado da MPB, cujas composições atravessarão as décadas vindouras, encantando gerações.

Embora tivesse estreado em 1936, comos sambas "Pergunte aos meus tamancos" e "Triste História", com oparceiro ALCIDES GONÇALVES, seu primeiro grande sucesso foi navoz do saudoso Cyro Monteiro em "Se acaso vocêchegasse" parceria com Felisberto Martins, sucederam-se dezenas de êxitos que haveriam de firmar para aeternidadeseunomecomo um dos mais expressivose talentosos compositores brasileiros.

É de se assinalar que à época, o teatro"Opinião" viveu uma noite histórica com o lançamento de seu LP pela gravadoraRosicler, denominado "Dor de Cotovelo',onde se encontram músicas de sua autoria de grandes sucessos .

Pode se afirmar que o Teatro Opinião viveu a maior noite de sua história, casa lotada, gente no sereno, querendo entrar. As homenagens não paravam, verdadeiro batalhão de fotógrafos e repórteres, espocando "flashes". Na ocasião, Elza Soares, a grande intérprete de "Se acaso você chegasse" estava escondida num camarim e surgiu para abraçá-lo em plena cena aberta, com o povo cantando de pé e invadindo o palcopara saudá-lo.

Foi uma noite inesquecívelpara o gaúcho de Ilhota, em Porto Alegre.

O cozinheiro Lupicinio e o seu inseparável sorriso

Lupicínio e o seu inseparável sorriso de quem estáde bemcom a vida, sempre se intitulou um cozinheiro de primeira. Em sua casa, a beira do Guaíba, onde recebia seus amigos nos fins de semana, era um verdadeiro "chief" no preparo do "puchero" (espécie de cozido) e do churrasco gaúcho.

Em Porto Alegre, foi proprietário do famoso restaurante "Batelão" que todas as noites reunia a boêmia sulista para ouvi-lo interpretando seus sucessos e entre seusassíduos frequen-tadores podia se ver com freqüência o ex-Ministro Pratini de Morais e outraspersonalidadesdo Rio Grande do Sul.

Autor do hino do Grêmio de Porto Alegre, foi Gremista apaixonado e torciapelo Flamengo, no Rio de Janeiro.

Enquanto viveu, representou a sua sociedade a SBACEM, em todo o Rio Grande do Sul.

As"Pérolas" de Lupicinio e seus famosos Intérpretes

Destacamos aqui as "pérolas" de Lupicinio Rodrigues e seus famosos intérpretes:

Nervos de Aço:Francisco Alves, Elza Soares, Jamelão, MPB-4,e Paulinho da Viola.

Nunca: Dircinha Batista, Jamelão, Lupicinio, Nelson Gonçalves e Waleska.

Volta: Emílio Santiago, Jamelão, Noite Ilustrada, Dircinha Batista.

Ela disse-me assim: Jamelão, Agnaldo Timóteo, Carlos Alberto, Cauby Peixoto e Elza Soares.

Maria Rosa, parceria com Alcides Gonçalves: Elis Regina, Jamelão, Francisco Alves.

Schottis Felicidade: Conjunto Farroupilha, Lupicinio, Caetano Veloso e Chico Buarque.

Quem há de dizer, parceria com Alcides Gonçalves:Altemar Dutra, Carlos Alberto, Jamelão e Miltinho.

Cadeira Vazia, parceria com Alcides Gonçalves: Francisco Alves, Elymar Santos, Peri Ribeiro.

Vingança: Linda Batista, Agostinho dos Santos, Carlos Alberto, Jamelão e Isaurinha Garcia.

Se acaso você chegasse, parceria com Felisberto Martins: Cyro Monteiro, Danilo Caymmi, Elza Soares, Lucio Alves.

Hino Oficial do Grêmio Futebol Porto Alegrense: Coro Odeon.

Loucura: Cauby Peixoto, Maria Bethânia, Nana Caymmi.

Exemplo: Ângela Maria, Cauby Peixoto, Jamelão eJoanna.

Dona Divergência, parceria com Felisberto Martins:Linda Batista.

Esses Moços: Francisco Alves, Emilio Santiago, João Gilberto, Joanna e Miltinho

Foi assim: Jamelão, LindaBatista, Maria Bethânia e Luiz Eça.

Homenagem: Silvio Caldas e Ney Matogrosso.

Brasa: Abdias - Nosso Choro (grupo), Orlando Rincon

Meu Natal: Jamelão.

Fonte: Jornal das Gravadoras

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