| Zé Roberto: O homem dos sambas bonitos |
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| Sunday, 18 May 2008 13:41 |
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Por Antonio Braga Ganhei uma camisa muito bonita, com os dizeres 'Poetas do Samba' e fui convidado pelo amigo que me presenteou a dar um pulinho lá nesse pagode/encontro de poetas, no bairro do Rocha, Zona Norte do Rio de Janeiro, no Clube dos Sargentos, numa terça-feira noturna. Fomos juntos (sozinho eu não conseguiria achar ao local) confesso que sem grandes expectativas até por conta da data/época: uma terça-feira muito fria. Quando convidado, o que me chamou a atenção foi a produção da camisa que não era feita com aquela malha promocional que estamos acostumados a receber, mas sim com um daqueles tecidos que não amarrotam e vestem bem em qualquer corpo - além da estampa ser da mais alta classe e bom gosto. Chegamos, clube bonito, recepção elegante, elevador: apertamos o segundo andar, a porta abre e um mundo de gente aparece, todos vestindo a tal camisa e o samba comendo solto. Num salão, não sei se de vôlei ou futebol de salão, improvisaram com quatro mesas centrais a base onde ficaram os músicos e assim o público ao redor participava totalmente de cada samba executado. Casa cheia, ambiente familiar e, de repente chamaram um dos organizadores para dar uma canja: "E agora com vocês Zé Roberto". Impossível tentar descrever o que aconteceu depois. Para resumir, quem estava sentado tomando cerveja, levantou, quem estava lá atrás batendo papo correu para frente e assim foi - uma invasão de gente que já sabia o que iria acontecer. Zé Roberto despejou um rosário de sucessos que nem eu, que trabalho com músicas há mais de 12 anos sabia que eram dele: A Sogra (com Zeca Pagodinho), Amar é Bom (Fundo de Quintal), Chantagem (Almir Guineto), Coisa de Amante (Reinaldo), Confusão na Horta (Jovelina Pérola Negra), Conselho (Almir Guineto), Falso Reinado (Beth Carvalho), Inigualável Paixão (Grupo Pirraça), Mensagem (Almir Guineto), Meu Modo de Ser (Zeca Pagodinho), Minha Morada (Grupo Raça), Nosso Fogo (Fundo de Quintal), Nunca Mais (Grupo Revelação), O Pai Coruja (Zeca Pagodinho), O Cunhado (Zeca Pagodinho), Pinta de Lord (Zeca Pagodinho), Pra Não Te Perder (Pedrinho da Flor), Pra Que Brigar (Roice), Pura Inveja (Elson do Forogode), Resumo (Dominguinhos do Estácio), Retrato Cantado de Um Amor (Reinaldo), Sentimento de Posse (Grupo Pirraça), Vacilão (Zeca Pagodinho) e por aí foi. Na maioria das vezes ele cantava a primeira frase e o público puxava até o final... ele ria, se emocionava e por vezes passava o microfone para seu parceiro (nesse pagode e em novas composições) Gilson Bernini que dava continuidade sem deixar a bola cair. Eu poderia até comentar sobre outros participantes/amigos que estiveram por lá dando uma canja, mas esse episódio de Zé Roberto marcou a noite. O compositor tem mais de 100 sucesssos e uma única frustração: não ter sido gravado por Alcione. Num bate papo informal, na sede da sociedade onde também é um dos diretores (Sbacem) Zé Roberto Rangel Chapelen me contou que começou mesmo no samba freqüentando o pagode do Arlindo, em Cascadura, lá pelos idos anos 90. E ali conheceu grandes nomes do samba como Zeca Pagodinho, por exemplo. "Eu sei que o Zeca vai gravar no ano que vem, aí eu já começo hoje a fazer um samba pra ele, sem pressa -, tenho o ano todo. Sei que tenho uma veia para o humor então vou por aí", comenta o autor. "Hoje não dá mais para ganhar o que a gente ganhava antes. Lembro quando o Zeca vendeu mais de um milhão de discos... foi uma festa... reformei minha casa toda, comprei móveis novos ....era aquela beleza, uma fartura. Hoje não dá pra quase nada, mas dá pra viver. E ainda bem que tem o Zeca que ainda é o "cara", conclui. "Acho que, do samba, quem ainda não me gravou foi a Alcione. Tem até uma participação dela com o Almir num disco cantando música minha, mas ela sozinha, no disco dela, ainda não consegui", lamenta o compositor. "O novo parceiro é o Gilson Bernini. Estamos compondo juntos e fazendo esse encontro de Poetas do Samba que está na quarta edição e bombando, como você viu lá. Fazemos 500 camisetas que se esgotam em minutos. Também não podemos colocar mais de 500 pessoas por que o local não vai agüentar... e lá é bem legal", finaliza. O próximo evento do Poetas do Samba, acontecerá dia 10 de junho. Vale a pena conferir! E desde já convido o Zé Roberto e seu parceiro Gilson Bernini para nos prestigiar na Confraria Oficial dos Compositores que acontecerá dia 27 de maio na Rua do Rezende, 26. Fonte: Jornal das Gravadoras Contato ( This e-mail address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it ) |















