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Cyro Monteiro - 95 anos PDF Imprimir Correo

Filho de um dentista e funcionário público (o Capitão do Exército Monteiro), Cyro Monteiro nasceu no bairro do Rocha, Rio de Janeiro, em 28 de maio de 1913. Sobrinho do pianista Nonô (Romualdo Peixoto, conhecido como o "Chopin do samba") um dos mais famosos do Rio de Janeiro, que acompanhava Sílvio Caldas. Era na casa da família Monteiro que ocorriam os ensaios. Ciro cresceu em ambiente musical (que no futuro geraria seus sobrinhos Andiara, Araken, Moacir e Cauby Peixoto, cantores e instrumentistas).

Sílvio Caldas fazia dupla com Luiz Barbosa (o cantor do chapéu de palha) dupla essa que se desfez e Silvio chamou Ciro para substituí-lo. Apesar do sucesso, cada um acabou seguindo seu caminho. No ano seguinte foi levado para um teste na Rádio Mayrink Veiga, encaminhado por Dioclesiano Maurício. Aprovado, foi escalado para um programa diurno, chamado "Programa das Donas de Casa". Em 1936, passou para os programas noturnos, com Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis, Custódio Mesquita, Noel Rosa, Gastão Formenti e outros grandes artistas. Foi nessa época que começou a criar um estilo que o imortalizaria. Luiz Barbosa marcava o ritmo no chapéu de palha e Joel de Almeida foi seu seguidor. Cyro descobriu no ritmo de uma caixinha de fósforos o toque instrumental para suas interpretações criando a marca registrada que o acompanharia por toda a carreira.

Como de hábito naquele momento, cantava em todas as emissoras, ao lado dos grandes artistas. Até acontecer seu grande sucesso, que veio do compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues, o samba 'Se Acaso Você Chegasse', em 1937, que gravaria na Victor, em 1938. No mesmo ano, gravou em dueto com Odete Amaral o jongo "Pomba serena", de Humberto Porto. Nessa época começou a compor em parceria com Dias da Cruz. No ano seguinte, voltou a gravar em dueto com Odete Amaral, registrando os sambas "Sinhá, sinhô" e "Bem querer", ambos de Aloísio Silva Araújo. Ainda no mesmo ano, gravou o samba "Mania da falecida", de Ataulfo Alves e Wilson Batista e emplacou o sucesso, "Oh! Seu Oscar", de Ataulfo Alves e Wilson Batista, grande vencedor do carnaval do ano seguinte e segundo grande sucesso do cantor.

Em 1940, gravou dois frevos-canção do compositor pernambucano Capiba: "Quero essa!" e "Gosto de te ver cantando"; os sambas "Beijo na boca", de Ciro de Sousa e Augusto Garcez e "O bonde de São Januário", de Ataulfo Alves e Wilson Batista.

No ano seguinte, de Ary Barroso, o samba "Os quindis de Iaiá" e a marcha "Qué-qué-qué-ré", em parceria com Álvaro Carvalho e também de Capiba, o frevo-canção "Linda flor da madrugada", além de, com Sílvio Caldas e Orlando Silva, o samba "Rosinha", de Heber de Bóscoli e Mário Martins.

1942 - Os frevos "Quem me dera!" e "Dance comigo", de Capiba, e, de Synval Silva; o samba "Fonte do amor", o samba-choro "Botões de laranjeira", de Pedro Caetano, lançado com sucesso no "Programa César Ladeira", na Rádio Mayrink Veiga.

1943 - Os sambas "Até quarta-feira", de Geraldo Pereira e Jorge de Castro, "Senta lá na mesa", de José Gonçalves e Claudionor Cruz, "Beija-me", de Roberto Martins e Mário Rossi - sucesso do ano; "Você está sumindo", de Geraldo Pereira e Jorge de Castro e "Minha homenagem", de sua parceria com Ari Monteiro; "Apresenta-me aquela mulher", uma das primeiras composições do futuro grande compositor da Mangueira Nelson Cavaquinho, em parceria com Augusto Garcez e G. de Oliveira; com Nelson Gonçalves os sambas "Vem surgindo a Avenida", de Benedito Lacerda e Gastão Viana e "O diabo da mulher", de sua autoria e Benedito Lacerda.

1944 - Marcha "Vale ouro", de Benedito Lacerda e Roberto Martins; "A mim você não engana", de Armando Marçal e J. Portela; "Ouro de lei", de Valdemar de Abreu e Sá Róris; "Saudades dela", de Alcyr Pires Vermelho e Pedro Caetano. No mesmo ano, teve gravado por Marilu seu samba "Tu bem sabes", parceria com Kid Pepe; "Falsa baiana", de Geraldo Pereira.

1945 - "Os quindins de Iaiá", de Ary Barroso; "Briga de amor", da dupla Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins; "Aquele bilhetinho", de Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Arnô Canegal ; "Pra minha morena sambar", de Synval Silva; "Boogie-woogie na favela", de Denis Brean;

1946 - "Deus me perdoe", de Lauro Maia e Humberto Teixeira; "Rugas", de Nelson Cavaquinho, Augusto Garcez e Ari Monteiro; o choro "O que se leva dessa vida", de Pedro Caetano.

1947 - Da dupla Humberto Teixeira e Lauro Maia, o samba "Tenha dó de mim"; "Pisei num despacho", de Geraldo Pereira e Elpídio Viana; "Meu pandeiro", de Luiz Gonzaga e Ari Monteiro, uma rara incursão do "Rei do Baião" pelo universo do samba.

1948 - A marcha "Beijo", de Pedro Caetano.

1949 - A marcha "Sereia de Copacabana", de A. F. Marques e Antenor Borges. Nesse mesmo ano deixou a Rádio Mayrink Veiga e ingressou na Rádio Nacional, onde ficou por cerca de um ano. Em 1950, gravou, de sua autoria e Dias da Cruz, o samba "Maria sambou". No mesmo ano, saiu da gravadora Victor e retornou para a Rádio Mayrink Veiga onde ficou por mais três anos.

1955 - Na Todamérica, estreou com o sucesso, "Escurinho", de Geraldo Pereira. O lado A desse disco trazia um dueto com a cantora Mariúza no samba "Tem que rebolar", de José Batista e Magno de Oliveira. Ainda em 1955, gravou a marcha "Tá na cara", de João de Barro e o samba "Fim de Saíra", de Luiz de França e Zé Tinoco.

1956 - O samba "Nega Luzia", de Wilson Batista e Jorge de Castro; o choro "O barão na dança", de Antônio Rago e Mário Vieira; espetáculo "Orfeu da Conceição", de Vinicius de Moraes, no papel de Apolo, pai de Orfeu, peça encenada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

1957 - Duas de Wilson Batista, "Meu assunto é sambar", parceria com Lourival Ramos e o samba "Sou um barco", parceria com Alberto Rego; sucesso nas boates paulistas Cave e Chicote.

1958 - Ano de seu maior sucesso como autor, "Madame Fulano de Tal", parceria com Dias da Cruz, gravada por Maurici Moura, na Odeon.

1961 - Pela Columbia, de sua autoria e Mary Monteiro, o samba "Quatro loucos num samba" e de Hélio Nascimento e Mariano Filho, "Liberdade demais"; pela CBS o LP "Senhor samba": "Malandro bamba", de Pedro Caetano, "Pra brincar de namorar", de sua autoria, "Chora coração", de Osvaldo Guilherme e Denis Brean e "Receita de mulher", de sua parceria com Carlos Frederico.

Voltou para a Rádio Mayrink Veiga e começou a participar de programas de televisão.

1962 - Pela CBS, "Certa Maria", composição sua em parceria com Vinicius de Moraes.

1965 - Pela Elenco, o LP "De Vinicius e Baden especialmente para Cyro", com 10 composições dos dois artistas, entre as quais, "Para fazer um bom café", "Linda baiana", "Formosa", "Astronauta" e "Amei tanto". Nesse ano participa do programa "Bossaudade", da TV Record, apresentado pela cantora Elizeth Cardoso. Desse programa resultou um LP gravado pela Copacabana ao vivo, com o Regional de Caçulinha. Também, em São Paulo, juntamente com Dilermando Pinheiro, participa do espetáculo "Telecoteco Opus nº 1", produzido por Sérgio Cabral. Do espetáculo surgiu o LP pela Phillips, com as músicas: "Alô, João", em parceria com Baden Powell; "Minha palhoça", de J. Cascata; "Emília", de Wilson Batista e Haroldo Lobo; "Florisbela", de Nássara e Frazão; e o samba "Formosa", de Baden Powell e Vinicius de Moraes, que havia lançado no "O fino da bossa". No programa participa ao lado de Elis Regina, em vários números.

1966 - Gravou com Elizeth Cardoso pela Copacabana o LP "A bossa eterna de Elizeth e Cyro". No repertório: "Nega", de Waldemar Gomes e Afonso Teixeira, "Dance mais um bocado", de Henricão e Príncipe Pretinho e "O que é que eu dou?", de Dorival Caymmi e Antônio Almeida.

1968 - Com Clementina de Jesus, Nora Ney, Jards Macalé, o conjunto Os Cinco Crioulos e Dino Sete Cordas, fazem o espetáculo "Mudando de conversa", produzido por Hermínio Bello de Carvalho, no Teatro Santa Rosa, no Rio de Janeiro, e que se transformou em LP pela Odeon.

1969 - Pela Copacabana, lança o LP "Meu samba, minha vida", com "Saquinho de dinheiro", parceria com Lilian de Matos, "Tristezas não pagam dívidas", de Ismael Silva, "Saudade dela", de Pedro Caetano e Alcyr Pires Vermelho, "Deus me perdoe", de Lauro Maia e Humberto Teixeira e "Como a vida é", parceria com Dias da Cruz.

Lançou com Elizeth Cardoso o LP "A Eterna volume 2", com interpretações solo, como "Certa Maria", parceria com Vinicius de Moraes, "Presente de uma flor", " Coração malvado" e "Saudade é nome de flor", parceria com Dias da Cruz. Em dueto com Elizeth Cardoso "Mulher de malandro", de Heitor dos Prazeres, "Apanhando papel", de Getúlio Marinho e Ubiratan da Silveira, "Louco (Ela é seu mundo)" de Henrique de Almeida e Wilson Batista e "Quando penso na Bahia", de Ary Barroso e Luiz Peixoto.

1970 - Continental o LP "Alô jovens, Ilmo Cyro Monteiro canta sambas dos sobrinhos", com obras de novos compositores como "Dela", de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, "Nada de novo", de Paulinho da Viola, "Samba do Pasquim", de Paulo Sergio Valle e Marcos Valle e "Ilmo. Sr. Cyro Monteiro, ou Receita para virar casaca de neném", de Chico Buarque.

1971 - Com o cantor Jorge Veiga o LP "De leve - Jorge Veiga e Cyro Monteiro": "400 anos", de sua autoria com Dias da Cruz, "Café soçaite", de Miguel Gustavo, "Primeiro de abril", de Paulista, Noel Rosa e Nelson Cavaquinho e pot-pourris de sambas de sucesso. Seu último disco. Gravou pela última vez, junto com Vinicius e Toquinho, os sambas "Que martírio", de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, e "Você errou", de sua autoria. As gravações foram lançadas postumamente, em 1974, no LP "Toquinho, Vinicius e amigos".

Fonte: Jornal das Gravadoras

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