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Adelino, Nelson e Timóteo PDF Imprimir E-mail

A HISTÓRIA VITORIOSA DE ADELINO MOREIRA

Adelino Moreira nasceu na cidade do Porto, em Portugal, no dia 28 de março de 1918. Com apenas 1 ano de idade, sua família emigrou para o Brasil, fixando residência em Campo Grande, subúrbio carioca (de onde nunca saiu). Dois anos após essa entrevista, em 7 de maio de 2002, aos 84 anos, falece um dos maiores autores da música popular brasileira. A Sbacem, sociedade que ajudou a fundar, homenageia seu autor/diretor nessa edição de março, quando Adelino Moreira completaria 90 anos.

(Matéria publicada, originalmente, no 'Jornal das Gravadoras', edição 40, setembro de 2000)

Adelino era ourives, profissão herdada de seu pai, que queria vê-lo cantando música típica de Portugal. Mas ele foi um filho desobediente e preferiu viver na boemia dos anos 40 e 50. No entanto, por causa de sua desobediência, acabou fazendo 332 músicas para o cantor Nelson Gonçalves, além de outras centenas gravadas por vários intérpretes da época. No alto de seus 82 anos de idade, Adelino Moreira se considerava um homem realizado profissionalmente, um dos poucos compositores brasileiros com a marca de 1.200 músicas distribuídas em centenas de discos gravados.

Um dos fundadores do ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição do Direito Autoral) e da SBACEM (Sociedade do Ecad), Adelino se emociona ao lembrar do tempo em que começou a compor e orgulha-se de ter feito canções como: "Negue", "Meu vício e você", "Fica comigo esta noite", "A volta do boêmio", "Cinderela", "Devolvi", entre tantas, para as mais belas vozes do Brasil.

Na época dessa reportagem, aos 82 anos, o produtivo autor estava pensando em gravar disco de músicas inéditas: "Vou cantar todas as canções. Depois vou levar na gravadora e ver se ela quer lançar", adianta, mandando um outro recado para a cantoraAlcione:"Tenho uma música que, se ela gravar, vai estourar".

Adelino concedeu esta entrevista, com exclusividade, paraoeditor Antonio Braga.

Como foi que você começou a se interessar por música ?

Gostava de música desde criança, mas não gostava de cantar. Nasci em Portugal e cheguei ao Brasil com 1 anos de idade. Só nasci em Portugal, sou brasileiro de corpo e alma. Minha mãe foi embora porque não se adaptou bem aqui no país e então fiquei com meu pai.

O senhor chegou a gravar em Portugal?

Gravei seis discos em Portugal, quando voltei lá para visitar minha mãe. Eu tinha 26 anos na ápoca. Gravei também no Teatro Sá Bandeira, em Lisboa, com vários artistas e fui convidado para participar de um espetáculo chamado "Os Vareiros".

Você já havia gravado discos no Brasil ?

Antes de voltar a Portugaleu já tinha gravado com o Braguinha, o João de Barro.

Por que parou de cantar e passou só a compor ?

Chegou uma hora que eu senti que precisava optar: cantar ou compor. Naquela ocasião, surgiam vários cantores excepcionais como Orlando Silva e Nelson Gonçalves. Não era possível fazer sucesso com a voz que eu tinha. Foientão que o Nelson Gonçalves apareceu na minha vida. Ele gostou do que eu fazia e gravou 332 músicas minhas. Eu tenho mais de 1.200 músicas gravadas.

Você deve ter ganhado muito dinheiro com suas musicas...(rsrsrs)

Olha, eu não pensava em ganhar dinheiro com minhas músicas. Primeiro, porque meu pai era ourives e eu tinha uma situação bastante boa. Nunca pensei em ganhar mais dinheiro. Mas um dia surgiu um amigo jornalista, o Sebastião Santana, que me perguntou : "Se você fosse compor uma música para alguém cantar, para quem você mandaria? Depois me deu alguns nomes para escolher: Carlos Galhardo, Silvio Caldas e Nelson Gonçalves.

E quem foi que você escolheu ?

O Nelson Gonçalves era o nome da moda. Eu falei parao Sebastião que gostaria de compor uma música para o Nelson, porque ele era muito bom. Então ele falou: "Espera aí que eu vou te botar na vida dele".Passado uns dias, ele me apresentou para a mulher do Nelson, a Lurdinha Bittencourt, e eu cantei uma música para ela. A Lurdinha, depois que ouviu disse: "Dá isso para o meu Nelson". E eu respondi que não o conhecia e que não teria como cantar para ele. Ela se encarregou de fazer essa ponte.Pediu para eu ir na Rádio Nacional, no sábado,às 4 horas da tarde, e mostrar a música para ele. Fui lá. Eu estava subindo a escada do prédio da Rádio Nacional e o encontrei descendo. Perguntei: "O senhor é o Nelson Gonçalves?"; e ele respondeu: "Sou eu e você quem é? ". Eu disse quem eu era e ele rapidamente se lembrou do nome que sua mulher tinha dito: "Ah, a Lourdinha, me falou. Sobe e me espera lá no bar". Quando ele voltou, pediu para eu cantar a música que sua mulher ouvira. Eu perguntei: "Aqui?" E ele quase perdeu a paciência: "Mas aonde você quer cantar? No Scala de Milão? Tem que ser aqui mesmo...".

Acontece que tinha um monte de artistas no bar: Dircinha Batista, Linda Batista, Jorge Goulart, Nora Nei (para quem acabei compondo), Aracy de Almeida (para quem acabei compondo também...). E aquela gente toda me olhando e eu morrendo de vergonha. Mas cantei e o Nelson ficou entusiasmado, porque eu cantava bem e a música era boa.

Que música você cantou?

"Ultima Seresta". Quando terminei, o Nelson olhou para mim e disse: "Essa música é boa mesmo! E você é bom mesmo..." Ele pediu que eu continuasse o aguardando, pois ele precisava descer para fazer um número na Rádio e subiria em seguida. Após uns 20 minutos, ele voltou e pediu que eu cantasse novamente. Eu cantei novamente e ele pediu que eu escrevesse a música e a letra. Depois me convidou para voltar na próxima quinta-feira, no programa do Manuel Dafe, às 15 horas, e acrescentou: "Se você trouxer a música escrita eu canto ela". Voltei lá no dia marcado, encontrei com o Nelson na hora marcada, ele chamou o Chiquinho do Lenço e mandou orquestrar a música na hora. "Eu quero cantar essa música no programa Cesar de Alencar".

Seu pai não te incentivava?

Não. Às vezes eu mostrava uma música e ele dizia que não prestava. Meu pai era poeta e era dos bons. Mas não queria viver de suas poesias. Não fazia poesias profissionalmente. Um dia eu peguei a letra de uma música minha e mostrei para ele. Meu pai torceu o nariz e disse que era uma merda, que não valia nada. E eu falei: "Mas pai, isso foi gravado por Nelson Gonçalves. Era a letra de "Meu Vício é Você". Acontece que aquela não era uma linguagem que o meu pai queria ouvir. Depois ele pediu para que eu não mostrasse mais nada.

Chegou a acontecer essa primeira música que o Nelson Goncalves cantou?

Não estourou. Eu não conhecia o esquema das rádios... Tinha que pedir para tocar...

Depois disso você deve ter ficado mais conhecido. Outros artistas vieram pedir musica?

Muitos. A Nora Nei foi uma das primeiras. Ela gravou várias, entre elas"Quatro motivos", a Aracy de Almeida foi outra que gravou músicas minhas como "Saudade, Resto de Amor" e vários outros.

Foi com o Nelson Gonçalves que o primeiro sucesso aconteceu?

Fiz uma música que ele ficou gamado, adorou. Interessante que, no inicio, ele disse que a música não iria fazer sucesso. Antes de mostrá-la comentei: " Nelson, eu estou com uma canção aqui que será sucesso em todo o Brasil". Toquei , ele ouviu com toda a atenção e depois falou: " Não dá, não. A letra é muito comprida. Ninguém vai decorar uma letra grande assim; e a melodia também é muito complexa". Respondi que era música paraviolonistas e o Brasil inteiro tinha violão e todo mundo toca, de um jeito ou de outro, um pouquinho. A música não era tão difícil quanto parecia, era fácil de acompanhar. O nome dela era"A Volta do Boêmio".

E como foi que você convenceu o Nelson a gravar?

Depois que mostrei a música para ele, precisei sair. Eu tinha um Cadilac bonito, que havia comprado com dinheiro que ganhara como ourives e o Nelson pediu uma carona até o Largo da Carioca. No caminho, aconteceu um diálogo:

Nelson: Eu não posso gravar duas músicas suas no mesmo disco...

Adelino: Porque não pode?

Nelson: Porque vão pensar que você me comprou. Se você fosse um Ary Barroso, um Custódio Mesquita, um Herivelto Martins...vá lá!! Mas você e um completo desconhecido.

Você deve ter ficado chateado, né?

Não, pelo contrario. Chegando ao Largo da Carioca, o Nelson pediu que o esperasse por dois minutos, porque ele iria pegar um dinheiro emprestado com um agiota, pois queria comprar um presente para sua mulher que estava fazendo aniversário. Então, peguei o talão de cheques, preenchi uma folha com 3 Mil Contos de Reis e dei para ele. Nelson ficou muito surpreso: "Você está maluco, rapaz? Três mil é muito dinheiro". E eu falei assim: " Nelson, eu não vivo de música, mas esse dinheiro é parte dos 35 mil que ganhei com a música que você gravou. Eu só estou lhe pagando o que você fez por mim". Ainda perplexo, ele disse: "Engraçado, eu gravei para tanta gente e nunca me deram nada..." Em seguida, ele pegou o dinheiro e disse: "Já que é assim, eu vou gravar as suas duas músicas".

Ele realmente não ganhava dinheiro?

Ganhava muito pouco. Teve uma vez que nós estávamos juntos e ele precisou sair. Quando nos despedimos, ele disse: "Adelino, você me desculpa eu ir embora mais cedo. É que precisolavar esta camisa e costurar o colarinho, porque tenho que estar num programa à noite". Eu me surpreendi: "Você só tem uma camisa?" E ele respondeu; " Adelino, quanto você acha que um cantor ganha ?". Eu realmente não sabia que cantores não ganhavam nada em relação aos compositores.

A Volta do Boêmio foi sua música de maior sucesso?

Foi uma das mais famosas."Negue", por exemplo, foi regravada 48 vezes. Mas "A Volta do Boêmio" foi a que me deu mais dinheiro.

Quanto você vendeu com ela?

Só em discos de 78 rpm foram 62 milhões de cópias.

E "Negue" ?

Só a Maria Bethânia vendeu 3 milhões de discos. O primeiro a gravá-la foi Carlos Augusto. Mas tive outras canções que também fizeram bastante sucesso como: " Meu Vício e Você", "Meu Dilema", "Fica Comigo Esta Noite", "Escultura ", " Mariposa", "Argumento", "Êxtase", "Silêncio da Seresta", "Chore Comigo" e outras mais...

E qual você considera a mais bonita? Qual a sua música preferida?

"Tenho um Desejo" é uma música muito bonita. É um choro-canção, um gênero que eu inventei. Quis fazer uma coisa mais "picadinha" e romântica ao mesmo tempo, e inventei o choro-canção.

É difícil encontrar um cantor como Nelson Gonçalves hoje em dia?

É quase impossível. O Nelson foi a melhor coisa que me aconteceu. Mas depois que ele morreu, pararam de me procurar também. Atualmente, e difícil achar um bom cantor. Na verdade, eu não gosto de nenhum desses que estão por ai. Mas gosto do Cauby Peixoto, que é daquele tempo; gosto de ver o Caetano Veloso cantando. Ele tem um timbre bom de voz e é melodioso. Não tem um vozeirão, mas canta com o coração.

Depois que o Nelson Gonçalves morreu ninguém mais lhe procurou....

Talvez porque eu fosse muito Nelson Gonçalves. As gravadoras também sempre quiseram gravar comigo. Depois que ele morreu, a RCA Victor acabou e as outras gravadoras me chamavam para gravar, mas eu não queria. Cheguei a gravar com uma ou outra. Na Odeon, por exemplo, fiz sucesso com o Orlando Dias. Atualmente, a Simone regravou "Fica Comigo Esta Noite".

O senhor continua compondo no mesmo estilo?

Continuo e mantenho o mesmo estilo. Não mudei e não vou mudar nunca. E não vou fazer nada que eu não queira, porque tenho um nome à zelar. Continuo compondo, não tanto como antes. Quero mostrar à Alcione uma música que fiz para ela.

Lembra de mais alguma música de sucesso?

"Ciclone", que foi gravada por Carlos Nobre e vendeu milhares de discos e o Nelson também gravou e vendeu mais ainda. "Moco" é outra bela música que tocou muito...

Você tem parceiros de composição?

Não, nunca fiz nada em parceria. Mas tive um parceiro fabuloso que cantava para mim: o Nelson Gonçalves. Parceiro para compor, não.

E musa inspiradora?

A Ângela Maria. Fiz muitas músicas para ela. Um dia ela brigou com o namorado e eu fiz uma música chamada: "Ex-Amor" (Coitada de você, ex-amor, da tristeza portadora/Quem foi que lhe magoou?/ Quem foi que lhe deu tanto desgosto?/Quem pôs rugas no teu rosto?/Quem tanto lhe maltratou?/Parece que no seu itinerário/Dos amores do teu rosário/Só o meu amor restou). Ela gravou 48 músicas minhas: "Beijo Roubado", "Cinderela" etc.

Existiu outra musa ?

Núbia Laffayete. Conheci em São Paulo, cantando numa boate. O Nelson me levou numa boate e vi aquela mulher linda. Quando ela começou a cantar fiquei maravilhado: "Essa moça canta muito, Nelson. Ela tem um timbre bonito, pouca gente tem igual". Depois do show (ondecantou sete músicas minhas), ela veio até a nossa mesa e eu perguntei: " Minha filha, você já gravou?", ela respodeu que não. Então eu disse: " Pois então vai. Quando você for ao Rio, vá até a RCA Victor e me procure que eu estarei lá te esperando (naquela época eu estava mandando...). Você vai gravar músicas minhas."

Naquela época, tudo o que eu fazia era sucesso. Tanto que diziam que a gravadora devia se chamar "RCAdelino".

Além de parceiros musicais, você e o Nelson eram muito amigos também...

Nós andávamos sempre juntos. Mas a Ângela também é uma ótima pessoa. O defeito dela foi sempre: os homens. Ela não dava certo com ninguém. Quando fiz "Cinderela", a Ângela ficou uns 4 meses lá em casa. Foi uma época em que ela tentou o suicídio quatro vezes. Numa dessas, ela pulou do terceiro andar do hospital onde esteve internada e eu estava chegando, junto com o Cleber Lisboa, o marido dela na época. Eu vi aquilo e fiquei muito triste. Tinha uma grande paixão por ela... Tinha não, ainda tenho. Gosto muito dela. Lá em casa, eu fiz outras cinco músicas que ela gravou pela Copacabana.

Você tem musicas gravadas fora do Pais?

Tenho. Chama-se "Garota Solitária", gravada em Portugal pela Ângela Maria. Tenho também gravada na Alemanha a música "Beijo Roubado". Tenho músicas gravadas em espanhol. Na Argentina gravaram "Pecado Ambulante".

Carlos Galhardo também gravou musicas suas. Como foi o trabalho com ele?

O Carlos Galhardo era um homem muito bom, era um cara fantástico. Um dia ele disse assim: "Ah se eu tivesse um Adelino Moreira na minha vida..."Eu fiquei surpreso, porque ele já fazia sucesso. Mas senti que ele queria que eu fizesse uma música para ele. E numa roda de conversa comentei: " E só você dizer que eu faço". Ele me deu o titulo da música. Eu disse: "Passe aqui amanhã que ela estará pronta". No dia seguinte, ele pegou a música estava pronta:"Fim de Estrada". Um grande sucesso.

Que recado que você mandaria para os compositores que estam na estrada tentando encaixar músicas?

Que estudassem um pouco mais de Português. Porque eu sempre valorizei a nossa língua. Há cerca de dois meses, estive em Recife e o apresentador Geraldo Freire, o Haroldo de Andrade de lá, disse assim: "Adelino Moreira, o Brasil deve muito a você, porque você ensinou os cantores brasileiros a cantar bem ". A questão é que ficou fácil gravar um disco e qualquer um grava o que quer. E a gente ouve coisas horríveis por ai.

Fonte: Jornal das Gravadoras

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